Poesias de Ega



(Barbara de Ega)

Eu, Barbara, não sou algum vaqueiro, 
Que viva de guardar alheio gado
Da batalha injusta já tarde me resguardo
De unhas aparadas não sei quem sou
Abandonei o escudo.
Zeus, da batalha levou-me tão só
Se para Hafiz, elas, passageiras são pó,
Sirenas, ilusões no qual as quis
Emula-te agora, a deusa Era,
Só a ti Barbara de Ega,
Quanto que de amor me fez feliz.

(Caio da Ega)


(Alma Errante)
"Não! Tua linguagem não basta para descrever
onde moram as meretrizes.
Não me encantas, porque perguntas sempre quem és.
O outro reside em ti.
E dentro de suas entranhas, gritas mentiras em louvor à histeria
e ao fascinio pela depressão.
Sangras, ó identidade em crise,
dentro de uma alma errante
que incendeia toda sua razão e consome todo teu ser."
(Caio da Ega)



(Estranho amor)

Juro que eu pensava em ter acabado
Tudo o que eu sentia por ti.
Menina...
Estranho amor que não te esqueço
E não te faço musicalizar
Estranho amor que beijo,
Que sinto-me culpado.
Estranho amor que te vejo,
Que te bato, que te cuspo e de mim não desgrudas.
Estranho amor platônico que te vomito.
De nada sabes.
Estranho amor que te quero.
Estranho amor que não te esqueço.
Estranho amor que não te quero,
E agora quero.
Estranho amor que não sei se é.
Estranho amor de noite que te beijo.
És tudo de estranho, amor.
Estranho amor que traz no fundo
D' alma a marca de saudade.
Vivo a querer-te, mas ainda que
me queiras, morro dizendo a ti...
...Estranho amor.
( Caio da Ega)


(Queria)

Queria ser uma serpente,
Para enrolar-me em suas pernas
Subir até seu ventre
E lá poder te amar.
Queria ser uma música
Para entrar em seu ouvido
E dentro da sua cabeça
Fazer-te me amar.
Queria ser sol
Para bronzear-te nas manhãs de verão
E quando a tarde eu for embora,
Tu possas sentir saudades de mim.
Queria ser a flor que nasce nos campos
Para dar-me de presente a ti.
E quando eu morrer,
Que tu chores.
Queria ser uma gota d'suor,
Para viver no canto de teus olhos,
Descer em teu rosto
E morrer em teu umbigo.
Queria ser um poeta para gritar
As mais lindas poesias
E tu que não me amas
Passarias a me amar.
Queria que toda dor que eu sinto agora
Fosse embora de minha alma,
E que tu viesses e me amasses
Com todo o teu coração.
Queria que a ansiedade que sinto morresse
Para eu viver melhor,
E que toda essa fantasia crescesse
Para que de verdade eu possa te amar.
Queria ser a chuva,
Para em sua pele poder tocar
Molhar os teus cabelos
E dar-te de presente o mar.
Queria que o vigésimo quinto cavaleiro
não morresse para que eu possa o perdoar,
Queria que tu não perdesses nunca
A vontade de me gostar.
Queria que o dia se chamasse Juliana,
Só assim ele seria mais lindo,
E que eu não morra fingindo,
Que é triste te amar.
( Caio da Ega)


(Partem)

Os bebês alojados em ventres,
nascem, e dali...
...partem.
Deus assopra a vida e dá
a morte, e os defuntos...
...partem.
O inferno inspira o mau,
e os de bem...
...partem.
A família quer passear,
se arrumam e ...
...partem.
O namorado quer a mocinha,
que não quer, e eles...
...partem.
Os bandidos afanam,
a justiça é cega e eles...
partem.
Nosso dinheiro é gastos por
poderosos, e eles...
...partem.
Somos bonecos e os grandes
que zombam de nossas caras...
...partem.
Os poetas querem continuar a escrever,
mas já é hora de jantar e eles...
...partem.
(Caio da Ega)


(Ansiedade de Ega)

Ansiedade,
Maldita ansiedade.
Putrefata ansiedade
Sobrenome de terror.
Medo de ter.
Tornar-se a sarjeta dos que fome passam.
Ansiedade e medo de ir.
A ilusão e o castigo aos ratos.
Nojo comum tendes de mim,
ansiedade perversa,
sem cura, sem odor,
mata-me aos poucos em sacrifício.
Trauma, morte,
luz, medo,
vida, pessoas.
Pânico se ser alguém.
A notícia que vem de repente,
choca, mata, destrói.
Maldita e devassa ansiedade,
que mata ao Ega, és a alegria da morte.
(Caio da Ega)




(Flor de Maio)

Marina!

Esposa amada, esposa minha
Que tua alma, guardei
E só ao teu ego chamarei
Pedindo, te amar

Marina!

Bela flor, flor de maio linda
Que só tua pele branca cheirei
E só então me tornei
Um poeta a cantar

Ternura esposa, esposa minha
A quem segredos confiei
Aonde cedo em Sintra chegarei
Ao teu sorriso carregar

Sabes, sei que sabes, sábia minha
Que o mesmo que saberei
Hoje sabes, isso eu sei
Que só a si ei de amar

Quem sabe um dia uma filha me dará.
Sua imagem ela portará
Sendo tu Marina minha esposa
Com quem ei de me casar

Quero que queiras, querida minha
E que os quereres possam suplantar
E que me queiras como te quero
Para juntos a todo sempre ficar.
(Caio da Ega)



 
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